Artigo de Andre Vltchek, de 2014
Andre Vltchek, russo naturalizado americano, morto em 2022, jornalista internacional, escritor: um artigo indignado, escrito em 2014:
A CEGUEIRA E SURDEZ DO OCIDENTE
"𝘚𝘦𝘳á 𝘲𝘶𝘦 𝘰𝘴 𝘤𝘪𝘥𝘢𝘥ã𝘰𝘴 𝘥𝘢 𝘌𝘶𝘳𝘰𝘱𝘢 𝘦 𝘥𝘢 𝘈𝘮é𝘳𝘪𝘤𝘢 𝘥𝘰 𝘕𝘰𝘳𝘵𝘦 𝘪𝘨𝘯𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘰 𝘧𝘢𝘤𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘰𝘴 𝘴𝘦𝘶𝘴 𝘨𝘰𝘷𝘦𝘳𝘯𝘰𝘴 𝘦 𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘢 𝘵𝘳𝘢𝘷𝘢𝘳 𝘨𝘶𝘦𝘳𝘳𝘢𝘴 𝘯ã𝘰 𝘥𝘦𝘤𝘭𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢𝘴 𝘦 𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘦𝘵𝘦𝘳 𝘢𝘤𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘰𝘳𝘪𝘴𝘮𝘰 𝘦𝘮 𝘵𝘰𝘥𝘰 𝘰 𝘮𝘶𝘯𝘥𝘰?" - 𝖠𝗇𝖽𝗋𝖾 𝖵𝗅𝗍𝖼𝗁𝖾𝗄, 𝟤𝟢𝟣𝟦
Será realmente possível que o público europeu não faça ideia do que está a ser feito à Ucrânia? Será que os homens e as mulheres do continente - que vive em alucinação e que é bem-educado e bem informado - não sabem realmente como os seus próprios governos criaram e estão a apoiar esse "movimento de oposição" em Kiev; um movimento cheio de fascistas e fanáticos?
Infelizmente, é possível, e é de esperar!
Depois de ter trabalhado em cerca de 150 países, em todos os continentes, cheguei finalmente a uma conclusão absolutamente clara: 𝐧ã𝐨 𝐡á 𝐧𝐞𝐧𝐡𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐭ã𝐨 “𝐥𝐚𝐯𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐜é𝐫𝐞𝐛𝐫𝐨”, 𝐭ã𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚𝐝𝐚, 𝐭ã𝐨 𝐞𝐧𝐝𝐨𝐮𝐭𝐫𝐢𝐧𝐚𝐝𝐚, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐞 𝐚 𝐀𝐦é𝐫𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐨 𝐍𝐨𝐫𝐭𝐞. Não há pessoas tão desfasadas da realidade global; pessoas tão ingénuas e dispostas a seguir a doutrina religiosa do fundamentalismo de mercado e a crença autojustificada de que eles, e só eles, são os únicos guardiões da democracia, da liberdade e da virtude, neste planeta.
O mundo está de novo em chamas, e tanto a Europa como a América do Norte (por favor, não finjamos por mais um segundo que o Império está, de alguma forma, dividido entre os maus Estados Unidos e a Europa "moderada") estão a demolir, a arrasar, a tirar do seu caminho tudo o que ainda se mantém direito e orgulhoso; tudo o que defende os indefesos, tudo e todos os que sonham e constroem sociedades igualitárias e decentes.
E a grande maioria dos europeus está a bater palmas. Leram as suas folhas de propaganda e estão a bater palmas. E envolvem-se em patéticas discussões pseudo-intelectuais (enquanto bebem, oh de forma tão sofisticada, o seu vinho e cerveja refinados), enquanto milhões de pessoas estão a ser assassinadas pela implementação dos seus "interesses" fanáticos.
Nações inteiras estão, mais uma vez, a sangrar, para garantir que milhões de agricultores franceses ou italianos possam conduzir os seus BMW de luxo (oh, desculpem, na Europa não são comercializados como luxo, mas como "carros fiáveis"), consumindo enormes subsídios, por produzirem e, muitas vezes, por não produzirem nada. Os subsídios são pagos com o sangue dos povos africanos e asiáticos.
Por favor, não estou a tentar ser engraçado e não estou a tentar brincar com as palavras: Estou a perguntar-me honestamente... estou a humildemente a perguntar: 𝐒𝐞𝐫á 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐧𝐨 𝐎𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐜𝐮𝐥𝐚𝐫𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚... 𝐞𝐬𝐭ã𝐨 𝐚 𝐟𝐢𝐧𝐠𝐢𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐧ã𝐨 𝐬𝐚𝐛𝐞𝐦 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭á 𝐚 𝐚𝐜𝐨𝐧𝐭𝐞𝐜𝐞𝐫 𝐧𝐚 𝐒í𝐫𝐢𝐚, 𝐧𝐚 𝐕𝐞𝐧𝐞𝐳𝐮𝐞𝐥𝐚, 𝐧𝐚 𝐓𝐚𝐢𝐥â𝐧𝐝𝐢𝐚 𝐞 𝐚𝐠𝐨𝐫𝐚, 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐜𝐮𝐥𝐚𝐫𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐧𝐚 𝐔𝐜𝐫â𝐧𝐢𝐚? 𝐎𝐮 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐫𝐚𝐦-𝐬𝐞 𝐬𝐢𝐦𝐩𝐥𝐞𝐬𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐦 "𝐮𝐦 𝐠𝐫𝐮𝐩𝐨 𝐝𝐞 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐭𝐢𝐭𝐮𝐝𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐨𝐧𝐞𝐬𝐭𝐚𝐬 𝐞 𝐢𝐧𝐟𝐥𝐮𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐩𝐨𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐩𝐮𝐥𝐚çã𝐨 𝐩𝐬𝐢𝐜𝐨𝐥ó𝐠𝐢𝐜𝐚 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐧𝐬𝐚. Onde está a famosa diversidade? Onde está a coragem intelectual? Onde estão as grandes manifestações que abalam Paris, Roma, Berlim; manifestações que tentam derrubar governos que têm vindo a desestabilizar uma enorme nação europeia — a Ucrânia, ao mesmo tempo que provocam a Rússia, a nação que salvou o mundo do nazismo e que, mais tarde, ajudou a libertar muitas nações africanas e asiáticas das garras do colonialismo?
Onde estão as vozes que protestam contra a antagonização da Rússia? Será que os europeus não conhecem a sua própria história?
𝐀 𝐑ú𝐬𝐬𝐢𝐚 𝐧ã𝐨 é 𝐮𝐦 𝐚𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐨𝐫; 𝐭𝐞𝐦 𝐬𝐢𝐝𝐨 𝐮𝐦𝐚 𝐯í𝐭𝐢𝐦𝐚, 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐦𝐞𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐝𝐞 𝐡á 𝐜𝐞𝐦 𝐚𝐧𝐨𝐬. A Rússia foi atacada pela Europa e, em apenas um século, dezenas de milhões de russos foram massacrados pelos fascistas europeus, imperialistas e "democratas" europeus.
A Rússia foi atacada no início da Primeira Guerra Mundial e, depois, novamente, após a revolução bolchevique de 1917, por uma invasão conjunta de tropas dos EUA e do Reino Unido. A Rússia foi também atacada por legiões checas, que lutavam na frente de batalha contra o Império Austro-Húngaro (e chegaram lá dando a volta ao globo). As legiões checas ocuparam quase toda a área circundante do caminho de ferro transiberiano, violando, pilhando e assassinando indiscriminadamente à medida que avançavam.
Depois veio a Segunda Guerra Mundial, antes da qual, tanto França como o Reino Unido sacrificaram praticamente tudo o que se interpunha no caminho [da Alemanha Nazi] em direcção à União Soviética. E, sim, a própria guerra ceifou pelo menos vinte milhões de vidas. O povo soviético sumiu-se numa enorme luta contra o nazismo.
Metade da minha família, dos meus antepassados, também desapareceu ali, durante o cerco de Leninegrado.
Seguiu-se a Guerra Fria e, finalmente, o acto mais cínico e maquiavélico do Ocidente: arrastar a URSS para o Afeganistão e destruí-la, utilizando quadros jihadistas do Médio Oriente, do Sul e do Sudeste Asiático. Finalmente, o fantoche ocidental — o "democrata da oposição", Boris Ieltsin — um alcoólico com um cérebro claramente em decomposição, foi ajudado pelas potências ocidentais a tomar o poder. E quando o Parlamento e o povo russo se rebelaram, Ieltsin mandou os tanques contra os membros do Parlamento russo e o povo nas ruas. Os meios de comunicação social lacaio do Ocidente aplaudiram:
"Democracia!"
"Vitória!"
Milhares de pessoas desarmadas morreram. 𝐀 "𝐐𝐮𝐢𝐧𝐭𝐚 𝐂𝐨𝐥𝐮𝐧𝐚" 𝐞𝐬𝐦𝐚𝐠𝐨𝐮 𝐚 𝐔𝐧𝐢ã𝐨 𝐒𝐨𝐯𝐢é𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐞𝐦 𝐩𝐞𝐝𝐚ç𝐨𝐬, 𝐮𝐬𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐦𝐞𝐧𝐭𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐮𝐬𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐩𝐚𝐠𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐜𝐫𝐮𝐞𝐥 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐖𝐚𝐬𝐡𝐢𝐧𝐠𝐭𝐨𝐧, 𝐋𝐨𝐧𝐝𝐫𝐞𝐬 𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫𝐞𝐬.
E então o Ocidente ficou subitamente sem oposição. Parecia que não havia nada a bloquear o seu caminho, em direcção ao controlo absoluto do mundo. Os pesadelos colonialistas do passado regressaram. O mundo tornou-se monopolar, com apenas um dogma, uma ideologia, e apenas um Império. E em apenas alguns anos após o "colapso" da União Soviética, [o mundo] tornou-se uma merda total... Total!
Será que a Europa está tão endoutrinada, tão cheia de propaganda ao ponto de não ser capaz de reconhecer o que o seu regime tem andado a fazer em todo o mundo?
Durante anos, o Ocidente em geral, e a União Europeia em particular, têm desestabilizado a Ucrânia, pagando pela sua "oposição"... Espera; raios... de que estamos a falar? Toda a gente sabe, certo? Não? A sério? Nem toda a gente?
Não se trata de "provas" ou da "avalanche de informação". Durante anos, durante décadas, tenho estado a acumular provas e argumentos sobre os crimes horrendos e impensáveis que o Ocidente tem vindo a cometer em todos os continentes do mundo. Tenho investigado meticulosamente o que se está a passar, por vezes arriscando a minha vida ou arruinando a minha saúde e, por vezes, fazendo-o sem o apoio de nada nem de ninguém... na verdade, tem sido esse o cenário, a maior parte do tempo.
Eu fazia-o porque acreditava; acreditava como um idiota, acreditava, dia e noite, que as minhas descobertas iriam chocar o mundo, particularmente o Ocidente... Que iria envergonhar os ditadores europeus e norte-americanos... Que o que mostro iria revoltar o povo… Que os horrores que eu tinha testemunhado por todo o mundo, iriam finalmente acabar... sabes: Aquele maldito mundo de conto de fadas idiota:
"As pessoas verão a verdade e forçarão os monstros que as governam a parar de matar seres humanos em todo o lado neste belo planeta."
Hoje, tenho que declarar publicamente: Fui um parvo!
Não consegui comover as pessoas, claro! Eu tentei. Até deixei de lado o estilo jornalístico na minha escrita, e passei a escrever como poeta, como romancista que sou. Fi-lo porque percebi que ninguém quer saber apenas de factos! Há factos em todo o lado. Tudo está documentado.
𝐆𝐨𝐥𝐩𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐞𝐦 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐧𝐜𝐢𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐞 𝐩𝐥𝐚𝐧𝐞𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐄𝐔𝐀 — 𝐞𝐬𝐭á 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐝𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥, 𝐟𝐚𝐜𝐢𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐜𝐞𝐬𝐬í𝐯𝐞𝐥. 𝐍𝐨 𝐞𝐧𝐭𝐚𝐧𝐭𝐨, 𝐧𝐢𝐧𝐠𝐮é𝐦 𝐬𝐞 𝐝á 𝐚𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐥𝐞𝐫 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐢𝐬𝐬𝐨!
Tentei outras tácticas — romances, filmes, jornalismo misturado com poesia. Nada! Nada empurrou os ocidentais para as barricadas. Sim, pessoas como eu não estamos a conseguir comover, tocar, aqueles que estão a cometer crimes contra a humanidade... e também aqueles que estão a beneficiar da enorme pilhagem do mundo.
Essas massas, na sua maioria bem alimentadas, estão-se nas tintas: na Europa, ou nos Estados Unidos. Os seus governos e empresas dominam o mundo e a maioria dos cidadãos de esses países recebe algumas migalhas. O seu nível de compreensão, a sua consciência política é muito inferior à das pessoas em África, da América Latina e da Ásia, precisamente aquelas que estão a ser constantemente roubadas e sacrificadas.
𝐂𝐨𝐧𝐡𝐞𝐜𝐞𝐫 𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐞𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫... 𝐟𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮𝐬 𝐞 𝐧𝐨𝐫𝐭𝐞-𝐚𝐦𝐞𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐬𝐞 𝐬𝐞𝐧𝐭𝐢𝐬𝐬𝐞𝐦 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐟𝐨𝐫𝐭á𝐯𝐞𝐢𝐬... 𝐬𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐭𝐞𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐬𝐬𝐮𝐦𝐢𝐫 𝐚 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐬𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞; 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐨-𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐬á𝐯𝐞𝐥 𝐩𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐜𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐭𝐢𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐨𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐩𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐦𝐮𝐥𝐭𝐢𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐢𝐬. 𝐒𝐢𝐠𝐧𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐫𝐢𝐚, 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐧𝐨𝐬 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐞, 𝐭𝐨𝐦𝐚𝐫 𝐦𝐞𝐝𝐢𝐝𝐚𝐬.
Em um artigo recente da Reuters, um autor argumentou que a China está a observar o que a Rússia está a fazer. É claro que, pelo tom do artigo, desde o início, ficou claro que o que a Rússia, a China, o Irão e outros países — que discordam da "democracia e do capitalismo de estilo ocidental" — estão a pensar e a fazer é absolutamente errado.
Sem convidar intervenientes russos, chineses ou venezuelanos, o autor seleccionou as "queixas" do mundo, dizendo que o Ocidente deveria ser criticado por alguns… pelo Kosovo e talvez pela Líbia... ainda que essas críticas fossem erradas... Um tal grau de autodisciplina e de propaganda seria próprio dos jornais alemães dos anos 30 e 40. E está a tornar-se a norma tanto na Europa como na América do Norte, bem como em muitos países do "mundo em desenvolvimento", 𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐚 𝐢𝐧𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚çã𝐨 é 𝐭𝐨𝐭𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨𝐥𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐨𝐫 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐧𝐜𝐢𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐨𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐚𝐢𝐬, 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚çã𝐨 𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐦𝐞𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐩𝐮𝐥𝐚çã𝐨.
A propaganda que sai da Europa é tão poderosa, tão potente, que ofuscou os olhos até dos que vivem nas antigas colónias do Ocidente, incluindo a China, a Índia e a Indonésia. Não se trata do Kosovo e não se trata apenas da Líbia, caramba!
Na Jugoslávia, que acompanhei intensamente de todos os lados, o Ocidente destruiu um país inteiro, um grande país, um dos membros fundadores do Movimento dos Não-Alinhados (a Indonésia já tinha pago o preço em 1965, com um a três milhões de pessoas brutalmente chacinadas, num golpe de Estado orquestrado pelos EUA e executado por militares e quadros religiosos).
Em África, um continente inteiro grita de dor. Desde 1995, só na República Democrática do Congo, foram chacinadas perto de 10 milhões de pessoas só na República Democrática do Congo, pelo Uganda e pelo Ruanda, em nome dos interesses geopolíticos ocidentais. A RDC tem urânio, coltan e diamantes... O seu povo não interessa. O rei belga Leopoldo II conseguiu matar 10 milhões de pessoas há cem anos, cortando-lhes as mãos e queimando-as vivas em cabanas. França está envolvida em todas as suas antigas colónias. Está de novo a ser tão doentiamente brutal como foi no passado.
O Mali, a República Centro-Africana e quase todos os países da região foram desestabilizados e estão perto da ruína total. A coligação EUA-Reino Unido-Israel está a minar a Somália, utilizando forças da Etiópia, do Uganda, do Quénia e do Burundi. O Sudão do Sul, uma entidade criada artificialmente, com petróleo, mas sem capacidade para se governar de forma independente, está agora à beira da fome e da guerra civil. E está à total mercê do Ocidente.
O Zimbabué e a África do Sul erguem-se contra o imperialismo ocidental, mas, em ambos os casos, o Ocidente financia directamente a "oposição" e a propaganda difama cruelmente as duas nações. A Eritreia enfrenta um embargo directo e uma intimidação constante. Por ser aquilo a que se chama a "Cuba africana" (é claro que ninguém sabe nada sobre a Eritreia na Europa, excepto alguns italianos instruídos).
Mesmo as pequenas e prósperas Seychelles, conhecidas pelos casamentos reais e luas-de-mel, têm de enfrentar uma oposição que é preparada a partir do estrangeiro (particularmente do Reino Unido); vingam-se dos seus excelentes cuidados médicos gratuitos e do seu sistema educativo de influência cubana.Tanto no Uganda como no Ruanda, regimes fascistas brutais e insanos estão a agarrar-se ao poder, orientados abertamente por pessoas como Tony Blair (conselheiro do Presidente Kagame).
A "primavera Árabe" descarrilou completamente no Egipto; um país com poderosos movimentos laborais, que foram abertamente assassinados. No processo, milhares de pessoas morreram, pois os militares e as elites pró-ocidentais derrubaram um governo muçulmano moderado democraticamente eleito. Os regimes religiosos mais horrendos, como os da Arábia Saudita, Bahrein e Qatar, estão a ser mimados e defendidos tanto pela América do Norte como pela Europa.
Na América Latina, os governos das Honduras e do Paraguai foram derrubados; a Venezuela teve de enfrentar tentativas de golpe de Estado e a sua própria "oposição" brutal, total e abertamente financiada pelo Ocidente. Cuba sobreviveu a inúmeros ataques terroristas vindos do Norte, e a "oposição" ali também é directamente financiada e apoiada pelo estrangeiro.A Bolívia e mesmo o Brasil foram alvo de tentativas maliciosas de destruição dos seus governos de esquerda, e no caso da Bolívia até a integridade geográfica do país foi ameaçada.
Na Ásia, as coisas vão de mal a pior. Tanto a China como a Coreia do Norte estão a ser literalmente provocadas, muitas vezes militarmente, a partir das bases aéreas dos EUA situadas em Okinawa e noutros locais. Países como as Filipinas estão a ser abertamente colocados contra a China (RPC) pelos EUA, enquanto o Vietname também está a ser "encorajado" a antagonizar o seu enorme vizinho. Escusado será dizer que a "oposição" chinesa tem sido financiada principalmente a partir do estrangeiro, durante décadas. Pelo contrário, em regimes brutais pró-ocidentais como a Indonésia, as Filipinas e também a Tailândia, o Ocidente está a pagar e a ajudar os militares e as elites a controlar e, se necessário, a destruir a verdadeira oposição.
A "oposição" foi claramente utilizada para arruinar a Síria (o Ocidente criou campos de refugiados na Turquia e noutros locais, para treinar e armar a chamada "oposição" nesse país), a Venezuela, a Ucrânia e até a Tailândia. Também causou grandes danos à Rússia e à China, bem como a inúmeros países da América Latina e das Caraíbas. 𝐎 𝐎𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭á 𝐚 𝐚𝐭𝐚𝐜𝐚𝐫 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐜𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐚í𝐬𝐞𝐬 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚𝐧𝐠𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬, 𝐚𝐫𝐦𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐞 𝐝𝐨𝐮𝐭𝐫𝐢𝐧𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐦𝐢𝐥𝐡𝐚𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐩𝐨𝐢𝐬 𝐬ã𝐨 𝐩𝐚𝐠𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐝𝐞𝐫𝐫𝐮𝐛𝐚𝐫 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐞 𝐬𝐢𝐬𝐭𝐞𝐦𝐚𝐬 𝐩𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐨𝐬. 𝐍ã𝐨 𝐬ó é 𝐢𝐥𝐞𝐠𝐚𝐥 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐞𝐪𝐮𝐢𝐯𝐚𝐥𝐞 𝐚 𝐮𝐦 𝐚𝐜𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐠𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚... não declarado e encoberto, mas guerra.
𝐒𝐞𝐫á 𝐪𝐮𝐞 𝐨𝐬 𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝ã𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐞 𝐝𝐚 𝐀𝐦é𝐫𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐨 𝐍𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐢𝐠𝐧𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐨 𝐟𝐚𝐜𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐮𝐬 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐞 𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞𝐬𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐭ã𝐨 𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐯𝐚𝐫 𝐠𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 𝐝𝐞𝐜𝐥𝐚𝐫𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐞 𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐭𝐞𝐫 𝐚𝐜𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐨𝐫𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐞𝐦 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨?
E isso acontece há décadas, com total impunidade, está perfeitamente documentado e é preciso uma enorme disciplina para o ignorar! Trabalhei em quase todos esses lugares, fazendo filmes, escrevendo livros e relatórios. Conheço de perto o que o Ocidente tem feito na Venezuela, Síria, Turquia, China, Coreia do Norte, Vietname, Tailândia, Indonésia, Zimbabué, Somália, Congo, Ruanda, Filipinas...
Eu tenho provas. Mas já repararam que, hoje em dia, as provas não valem nada? 𝐏𝐨𝐝𝐞𝐬 𝐯𝐢𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐬 𝐩𝐫𝐨𝐯𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫𝐨𝐬𝐚𝐬, 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐜𝐨𝐧𝐝𝐞𝐧𝐚𝐭ó𝐫𝐢𝐚𝐬 𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐜𝐡𝐨𝐜𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬, 𝐦𝐚𝐬 𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐧ã𝐨 𝐦𝐨𝐯𝐞𝐫ã𝐨 𝐧𝐢𝐧𝐠𝐮é𝐦, 𝐧ã𝐨 𝐥𝐞𝐯𝐚𝐫ã𝐨 𝐧𝐢𝐧𝐠𝐮é𝐦 à 𝐚𝐜çã𝐨 ... no Ocidente, quero eu dizer. Nesse Ocidente democrático" e "livre" do Ocidente! Podem provar que foram chacinadas 10 milhões de pessoas, e a reacção que vão ter será: "Obrigado...Belo trabalho! Mais um café?"
Os impérios ocidentais lutaram por vastas terras estrangeiras e nenhum europeu protestou (como não está a protestar agora contra o neocolonialismo) contra os genocídios cometidos pelos seus governantes. Alguns países como França exterminaram "com sucesso" cem por cento da população de algumas ilhas das Caraíbas e estiveram muito perto de exterminar toda a população de Rapa Nui, na Polinésia. Violações, pilhagens, assassínios, têm ocorrido um pouco por todo o mundo. O Ocidente continua a sentir que tem todo o direito de determinar quem vive e quem morre, e quem deve viver de que maneira.
𝐎 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐩𝐬𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚𝐥𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐬𝐮íç𝐨 𝐆𝐮𝐬𝐭𝐚𝐯 𝐉𝐮𝐧𝐠 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐫𝐞𝐯𝐞𝐮 𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚 𝐞 𝐨𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐚𝐥 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦𝐚 "𝐩𝐚𝐭𝐨𝐥𝐨𝐠𝐢𝐚", 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦𝐚 𝐝𝐨𝐞𝐧ç𝐚. 𝐏𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐥𝐞, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐦é𝐝𝐢𝐜𝐨, 𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐞𝐫𝐚 𝐮𝐦 𝐝𝐨𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐠𝐫𝐚𝐯𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐨𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐜𝐨𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐧𝐞𝐜𝐞𝐬𝐬𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐚𝐭𝐞𝐫𝐫𝐨𝐫𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐨𝐬 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬, 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨𝐥𝐚𝐫, 𝐝𝐞 𝐫𝐨𝐮𝐛𝐚𝐫 𝐞 𝐝𝐞 𝐚𝐬𝐬𝐚𝐬𝐬𝐢𝐧𝐚𝐫. E Jung não era o único. Os escritos de J. P. Sartre sobre o colonialismo são igualmente condenatórios, e também muito mais pormenorizados.
Mas agora, após décadas de enormes injecções de propaganda, tudo está "esquecido e perdoado". Mas será? Os europeus "não sabem" os horrores que têm andado a espalhar por todo o mundo. Os ocidentais em geral não sabem. Estão condicionados a não saber. 𝐄𝐥𝐢𝐦𝐢𝐧𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐨 "𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐫𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨" 𝐧𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝐩𝐫ó𝐩𝐫𝐢𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞 𝐬𝐢𝐦𝐮𝐥𝐭𝐚𝐧𝐞𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧𝐚𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐥ó𝐧𝐢𝐚𝐬. 𝐀𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐣á 𝐧ã𝐨 𝐬𝐚𝐛𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐫𝐚𝐫. 𝐎𝐬 𝐦𝐞𝐝𝐢𝐚 𝐞 𝐨𝐬 𝐚𝐜𝐚𝐝é𝐦𝐢𝐜𝐨𝐬 𝐬ã𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐧𝐜𝐨𝐫𝐚𝐣𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐫𝐚𝐫 𝐜𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬 𝐞 𝐛𝐫𝐮𝐭𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞. É ó𝐛𝐯𝐢𝐨 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮ê. 𝐍𝐞𝐧𝐡𝐮𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐧𝐞𝐧𝐡𝐮𝐦𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚, 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐭𝐞𝐮 𝐜𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬 𝐭ã𝐨 𝐦𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮𝐨𝐬𝐨𝐬, 𝐩𝐞𝐫𝐩𝐞𝐭𝐫𝐨𝐮 𝐚𝐜𝐭𝐨𝐬 𝐭ã𝐨 𝐡𝐨𝐫𝐫í𝐯𝐞𝐢𝐬 𝐞 𝐢𝐦𝐩𝐞𝐫𝐝𝐨á𝐯𝐞𝐢𝐬, 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐚𝐬 "𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬" 𝐞 "𝐜𝐢𝐯𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚çõ𝐞𝐬" 𝐨𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐚𝐢𝐬. 𝐂𝐨𝐦𝐞𝐭𝐞𝐫𝐚𝐦-𝐧𝐨𝐬 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚𝐦 𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐭ê-𝐥𝐨𝐬. 𝐀𝐭é 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨!
Este ensaio é apenas uma breve chamada de atenção para "quem está a falar"! Quem está a apontar o dedo à Rússia neste momento, e quem está a demonizar a China e chama "ditaduras" às verdadeiras democracias latino-americanas. Apetece parafrasear um velho slogan comunista e gritar:
"Povos do mundo que ainda tendes alguma parte do cérebro a funcionar - acordai e uni-vos!"
É evidente que o Ocidente está numa ofensiva: enquanto tenta aniquilar toda a dissidência que cresceu desde a destruição do velho mundo multipolar. Mas surgiu um novo mundo multipolar, talvez melhor. Algumas partes dele estão muito mais informadas e educadas sobre o terror horrível que advém de permitir que o Ocidente domine este mundo, sem oposição. 𝐍ã𝐨 é 𝐚 𝐑ú𝐬𝐬𝐢𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭á "𝐝𝐨 𝐥𝐚𝐝𝐨 𝐞𝐫𝐫𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐚 𝐡𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐚", 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐎𝐛𝐚𝐦𝐚 𝐝𝐞𝐜𝐥𝐚𝐫𝐨𝐮 𝐫𝐞𝐜𝐞𝐧𝐭𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞. É 𝐨 𝐎𝐜𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚 𝐜𝐥𝐚𝐫𝐚 𝐞 𝐞𝐯𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞. E só para dizer; que não é suficiente... Não é suficiente, nunca mais!
𝖠𝗇𝖽𝗋𝖾 𝖵𝗅𝗍𝖼𝗁𝖾𝗄,
𝟩 𝖽𝖾 𝗆𝖺𝗋ç𝗈 𝖽𝖾 𝟤𝟢𝟣𝟦
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"Da discussão nasce a luz"