Imagino a origem dos privilégios na procura de segurança, coisa muito básica. E, naquilo que a acompanha tanto, o medo. Qualquer privilégio que tenhamos, vêmo-lo como natural e justo, não nos imaginamos sem ele -- e, quando se põe a hipótese de o perdermos, defendemo-lo como quem defende a Justiça. Porque a nossa segurança parece estar em causa, passamos a funcionar no nosso modo mais primitivo, mais irracional, o de sobrevivência. Isto é o comportamento normal, ou seja, o mais frequente. Durante a presidência de Lula, no Brasil, dezenas de milhões de pessoas saíram da miséria para uma situação privilegiada; anos passados, quando viram os seus privilégios em risco não hesitaram em apoiar Bolsonaro, atitude irracional, nascida do medo: normal. Estamos num tempo em que é possível acabar com a miséria no mundo sem diminuir o bem-estar dos actuais privilegiados, dos que se não encontram na miséria. Essa enorme percentagem das populações do mundo, a que perderia um privilégio, por pass...
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"Da discussão nasce a luz"