Hábitos
"O homem é um animal de hábitos", é frase muito antiga e muito ouvida.
Quem nunca reparou que lhe custa desfazer-se de um casaco muito cossado, que chegou ao fim, mas ao qual está habituado?
A estrutura das nossas sociedades precisa de ser substituída. Não reformada mas substituída. A maior parte das pessoas tem consciência disso mas trata-se da estrutura a que estamos habituados.
Se deixar de ser um privilégio termos comida todos os dias, melhor! Desde que tenhamos comida todos os dias, se deixar de ser um privilégio, se for a regra para toda a gente do mundo, melhor!
Porém, como se sabe, sempre que perdemos um privilégio, algo, na noção que temos de segurança, muda. Instinctivamente, mesmo não sendo prejudicados, vemos a mudança como injusta.
E o medo de aparecer com um casaco novo, o medo de ter escolhido mal, leva-nos a procrastinar o que precisamos de fazer.
As crianças, que não têm tanto medo das mudanças, gritam-nos que estamos a matar a Mãe Terra, por exemplo. Decerto que, dentro de uns anos, ligarão o funcionamento absurdo que temos tido à última fase do capitalismo financeiro, com uma oligarquia internacional a governar os governos dos países, centrada no lucro dela, não de todos, muito menos desse estranho ser, Gaia, a Terra.
Poderão ainda ser poucos, os jovens que acham ridículo comprar roupa "de marca" cara, obedecer sem pensar à sociedade de consumo --- mas serão todos, seremos todos. A sociedade de consumo, a última forma do sistema capitalista, a produção de bens cuja qualidade vai sendo sabotada para que compremos outros, dentro de um prazo cada vez mais curto, trabalhosamente calculado com o objectivo do lucro da empresa, é uma sociedade em vias de extinção.
É tempo de ganhar juízo.
Imagino a transformação a acontecer naturalmente, da mesma forma que aconteceu a revolução industrial, há 250 anos. Que o medo leve alguns de nós a lutar pela preservação de formas obsoletas de funcionar em sociedade, é natural.
Não se combate o medo com violência, com berros ou com desprezo. Tampouco interessam muito os argumentos racionais, para quem os não quiser ouvir. O medo dissolve~se, não se combate. Com respeito, com alegria, com aceitação compassiva.
Tivémos, na Europa, nos anos 30 do século passado, quase todas as nações com uma ordem social baseada no medo. Era muito perigoso exprimir opiniões diferentes das dos tiranos, a idéia era de que a ordem precisa do medo. Não se acreditava, ou não se sabia, que, estatísticamente, as pessoas são decentes umas com as outras.
Ao contrário do senso comum, não me parece que precisemos de lutar, os democratas, contra os neo-fascismos que vão aparecendo. Trata-se de pessoas tão amedrontadas que preferem abdicar da sua liberdade, na esperança de descansar do medo.
Pratiquemos a liberdade, a alegria, a criatividade, vivamos. Não forcemos os reaccionários a tomar consciência de que estamos em tempos de mudança estrutural das sociedades.
A consciência vem de dentro para fora!
Quem nunca reparou que lhe custa desfazer-se de um casaco muito cossado, que chegou ao fim, mas ao qual está habituado?
A estrutura das nossas sociedades precisa de ser substituída. Não reformada mas substituída. A maior parte das pessoas tem consciência disso mas trata-se da estrutura a que estamos habituados.
Se deixar de ser um privilégio termos comida todos os dias, melhor! Desde que tenhamos comida todos os dias, se deixar de ser um privilégio, se for a regra para toda a gente do mundo, melhor!
Porém, como se sabe, sempre que perdemos um privilégio, algo, na noção que temos de segurança, muda. Instinctivamente, mesmo não sendo prejudicados, vemos a mudança como injusta.
E o medo de aparecer com um casaco novo, o medo de ter escolhido mal, leva-nos a procrastinar o que precisamos de fazer.
As crianças, que não têm tanto medo das mudanças, gritam-nos que estamos a matar a Mãe Terra, por exemplo. Decerto que, dentro de uns anos, ligarão o funcionamento absurdo que temos tido à última fase do capitalismo financeiro, com uma oligarquia internacional a governar os governos dos países, centrada no lucro dela, não de todos, muito menos desse estranho ser, Gaia, a Terra.
Poderão ainda ser poucos, os jovens que acham ridículo comprar roupa "de marca" cara, obedecer sem pensar à sociedade de consumo --- mas serão todos, seremos todos. A sociedade de consumo, a última forma do sistema capitalista, a produção de bens cuja qualidade vai sendo sabotada para que compremos outros, dentro de um prazo cada vez mais curto, trabalhosamente calculado com o objectivo do lucro da empresa, é uma sociedade em vias de extinção.
É tempo de ganhar juízo.
Imagino a transformação a acontecer naturalmente, da mesma forma que aconteceu a revolução industrial, há 250 anos. Que o medo leve alguns de nós a lutar pela preservação de formas obsoletas de funcionar em sociedade, é natural.
Não se combate o medo com violência, com berros ou com desprezo. Tampouco interessam muito os argumentos racionais, para quem os não quiser ouvir. O medo dissolve~se, não se combate. Com respeito, com alegria, com aceitação compassiva.
Tivémos, na Europa, nos anos 30 do século passado, quase todas as nações com uma ordem social baseada no medo. Era muito perigoso exprimir opiniões diferentes das dos tiranos, a idéia era de que a ordem precisa do medo. Não se acreditava, ou não se sabia, que, estatísticamente, as pessoas são decentes umas com as outras.
Ao contrário do senso comum, não me parece que precisemos de lutar, os democratas, contra os neo-fascismos que vão aparecendo. Trata-se de pessoas tão amedrontadas que preferem abdicar da sua liberdade, na esperança de descansar do medo.
Pratiquemos a liberdade, a alegria, a criatividade, vivamos. Não forcemos os reaccionários a tomar consciência de que estamos em tempos de mudança estrutural das sociedades.
A consciência vem de dentro para fora!
Parece-me que não está a conseguir despertar a consciência de que não vivemos em democracia. A maior parte das pessoas não sabe que vive num sistema político chamado, desde a Grécia antiga, oligarquia, etimológicamente o governo de uns poucos, dos que têm dinheiro. Explicar como era a democracia ateniense talvez ajude a criar a tal consciência das pessoas, que parece ser o objectivo do blogue.
ResponderEliminarVeja, nas páginas, um link para o blog de Étienne Chouard, um académico françês que estudou a democracia ateniense. http://chouard.org/blog/
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