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A mostrar mensagens de julho, 2018

A moeda

Só depois de D. Afonso Henriques cunhar moeda, o Vaticano, que fazia o papel da ONU, nesse tempo, reconheceu a independência deste novo reino. Hoje pagamos renda para estar aqui, bem dizia o ditado: "a mil chegarás, de dois mil não passarás!" Os ingleses dizem que o senso comum não é assim tão comum... mas nós temos uma palavra para essa raridade: Bom-senso. O problema é que para ter bom-senso é preciso pensar, coisa que dá muito trabalho. Abrir os olhos e ver que quem produz a moeda lhe recebe os juros -- para sempre! Que esse instrumento público tem dono e o alugamos, pagamos renda para o usar, que a oligarquia é o nosso senhorio! Em monarquia era o rei, em democracia seremos nós. A proposta que aqui fica é simples: que a Assembléia Geral da ONU delibere cunhar moeda, uma moeda contemporânea, virtual e não só, que vá paulatinamente substituindo as moedas privadas, e diminuindo o poder que a Oligarquia Internacional tem. Abrindo o caminho para a democracia. Uma questão...

Bom-senso

Um dos paradoxos da democracia é ela ser o regime político que melhor defende as minorias. As leis tendem sempre a ser aceitáveis por todos, a ter bom-senso, ou não conseguem ser aprovadas por maioria. Enquanto que nos sistemas em que o poder legislativo pertence a minorias, como o que temos, a oligarquia, por exemplo, se aprovam leis que só a ela interessam, como as PPPs, leis que nunca teriam tido aprovação pela maioria. Paradoxo! Ou a protecção que leis brandas dão aos esclavagistas actuais, como o caso desta rapariga, na Argentina . A minha convicção é que a maioria tem bom senso, faria leis claras contra a escravatura. Ou o caso dos judeus ortodoxos que conseguiram fazer passar esta lei racista , em Israel, eles não são a maioria da população, que incluiria os metecos* , em democracia. As leis da teocracia iraniana que levam à forca quem amar alguém do mesmo sexo  foram criadas por uma minoria; existiriam em democracia? Ou prevaleceria o bom-senso? Paradoxalmente, as leis...

Independência

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Cada um de nós tem livre-arbítrio e tem consciência dele; algures, no cerne da nossa consciência de ser, intuitivamente, em cada momento, fazemos escolhas e sabemos distinguir entre o bem e o mal. Se escolhermos pensar que o parágrafo anterior é falso, algo no nosso inconsciente nos incomoda, nos sugere que queremos que seja verdade, pelo menos connosco! E algo nos diz que o mesmo se passa com todos os outros. Algo em nós simpatiza com quem é subjugado pela força, maltratado, como se não tivesse dignidade. "Somos todos um", como dizem os sábios, quando dizem... a simpatia é-nos natural, mesmo quando escolhemos ignorá-la. Há escolhas muito estranhas para o senso-comum mas o que nos é natural é respeitá-las ... desde que sejam escolhas livres, que não incomodem a liberdade de alguém. Terá sido muito estranho para o Reino Unido, para os súbditos de sua majestade, que os habitantes da sua colónia mais rentável tenham declarado a sua independência, há duzentos e cinquenta an...

A Paz

Quem pode negar que esteja na natureza humana sentir compaixão por quem sofre? Quem pode negar o que sente por quem vive em cidades como Alepo, bombardeadas desde há anos, sempre em risco, sempre com fome, sem água, sem luz, com medo? Porém o senso comum considera a guerra natural, considera que faz parte da “natureza humana”, que é inevitável. O que faz parte da natureza humana é evitá-la. Alguém chamou à Vida “entropia negativa”, como se segurássemos algo para que não caia ao chão, como se nos opuséssemos à lei da gravidade. A natureza humana quer voar, não quer morrer, nem quer que os outros morram. O senso comum desiste face à lei da gravidade, diz “quem não pode arreia”. Há coragem nisso? A guerra não passa da desistência de criar a paz. Não passa de entropia, nada é em si mesma. A paz sim, é. É construção humana, feita com o corpo, o sentir e a mente. Donde vem a desistência? —Das frustrações, “a frustração leva à agressão”. Melhor seria se, contrariando a entropi...

A Direita

Perguntaram-me o que é a Direita e cada um terá o seu conceito do que seja. Sendo assim, lembrando ao leitor a subjectividade implícita em todas as afirmações, de todos nós, quer nos consideremos de direita, de esquerda ou "antes pelo contrário", aqui fica o que me parece mais caracterizador. No  salão do jogo da Pela (ou palma, antepassado do ténis), nas primeiras assembléias em que se discutiam as leis, os aristocratas estavam, por acaso, do lado direito de quem estava na mesa e os burgueses do lado esquerdo. A Direita  votou contra essa novidade, vinda da América, a de que as leis fossem iguais para todos os cidadãos e tentou manter as leis privativas da nobreza, donde vem a palavra "privilégio". Para a Direita, uma sociedade que não reconhecesse formalmente uma hierarquia social era inviável, mesmo impensável. Hoje os cidadãos são iguais perante a lei, outra coisa nos parece impensável. Os sans-culottes, porém, há muito deixaram de lutar por uma sociedade s...

Justiça

Se as leis forem, de facto, todas votadas por todos, deixará de acontecer a justa indignação pelas leis que protegem alguns. Ora essa indignação cria um desastre nas relações humanas, especialmente se não houver abundância. Os privilegiados por uma lei, mesmo que nada tenham feito para que ela surgisse, são tratados, naturalmente, com hostilidade. Ou seja, até os privilegiados têm interesse em que as leis sejam feitas por todos. E a Revolução Informática permite-o, do ponto de vista técnico. Imaginem um Whatsapp de um grupo que é a freguesia e uma decisão local a ser tomada a partir da contagem das opiniões favoráveis expressas. Devemos começar com sondagens simples mas rigorosas e vamos percebendo que é possível tomar todas as decisões democraticamente. A tranquilidade que isso geraria nas relações entre as pessoas, a partir da Justiça, qualidade que é fácil atribuir às decisões tomadas por maioria, evitaria muitos sentimentos negativos, que, actualmente, são mais fáceis de acontece...

Porquê?

Porque precisamos de fazer a democracia? Para deixarmos de ser manipulados, mentidos, levados a acreditar que somos nós, por meio dos nossos representantes, quem governa. Para deixarmos de ser explorados por uma oligarquia que nos empobrece sem fim e que acumula capital sem fim... sem fim? Vem à memória o famoso sociólogo do século XIX: "o capitalismo cavará a sua sepultura". Pois tudo tem um fim e este acumular deixará de ser coisa que possa funcionar. Para sermos senhores do nosso destino, para que haja criatividade e constução de Civilização... Muito se pode dizer, leitor, mas digo o que me parece essencial: para que recuperemos a confiança uns nos outros, a confiança que as crianças têm e sem a qual as relações humanas o não são. O lucro é valor incontestado e acontece-nos ver a sua procura por detrás de qualquer coisa, a mais bela, a mais livre que imaginar possamos. A "legítima" procura do lucro "justifica" a mentira sofisticada; "o mundo ...

Escassez

Mesmo sem partilhar a ingenuidade de Jean Jaques Rousseau, o animal que somos parece almejar a cordialidade para com os seus semelhantes e mostra compaixão -- a não ser que seja vítima do medo. O medo da escassez, da miséria, leva-nos a procurar os privilégios, a segurança de um bom lugar na hierarquia social -- ou seja, leva-nos a aceitá-la, quando a dita hierarquia deixou de ser necessária, deixou de fazer sentido, com a Revolução Informática. A propriedade é produto da escassez, é a procura da segurança. E a defesa do grupo, da família à nação, é produto do medo que, em abundância global, não existiria. Os fascismos, o medo dos imigrantes, nascem da escassez subjectiva, pois nem mesmo é real. Não é difícil apercebermo-nos de que a automatização da indústria, com o crescimento exponencial em que está, levará a um aumento de produtividade antes inimaginável e, necessariamente, a uma abundância que chegará (ultrapassada a estrutura oligárquica) para que os 7500 milhões que somos tenh...

A Urgência

A recente sugestão da Liga Norte, organização neo-fascista que faz parte do governo italiano actual, a de organizar uma liga com as organizações semelhantes dos vários países europeus tem que servir de despertador para os democratas. Imagino que os votos que os partidos anti-civilização europeia têm conseguido se não devam apenas aos incivilizados mas também àqueles que estão desesperados com a tirania da oligarquia financeira, que controla os políticos que produzem as leis, assim como a máquina da Justiça e da burocracia. É urgente que apareça um partido que reúna os democratas, muito embora a estrutura em que vivemos seja representativa e os nossos representantes, no momento em que são eleitos, se transformem, normalmente, em servos da oligarquia. Mas, por enquanto, é urgente impedir que a História se repita, mesmo que como farsa, é urgente que os europeus se lembrem da última vez que Urano visitou o signo de Touro, entre 1934 e 1942. Urano entrou de novo em Touro, a 16 do mês pas...

Abundância

Só em abundância as pessoas são naturalmente livres, não sentem necessidade de submeter os outros ou de se sujeitar. A democracia é fruto da abundância; e esta é fruto daquela. Imagino os atenienses, depois de terem subido à Acrópole e expulso o tirano Hípias, acabados os impostos, celebrando a Liberdade. Não se querem submeter de novo, tampouco se rebaixariam a tiranizar alguém... a democracia nasce da queda dos tiranos. Tomar consciência da tirania da oligarquia, recusar os impostos que, hoje, têm a forma legal de juros de dívidas. Tomar consciência de que o dinheiro é fabricado pelos donos, privados, do BCE e da Reserva Federal e de que nasce, do nada, já com direito a dar juro, coisa vista como "natural", neste sistema; tomar consciência de que se trata de uma tirania empobrecedora de todos os cidadãos, tomar consciência da necessidade de serem estes a cunhar a moeda -- só dessa abundância de consciência poderá nascer a democracia.